domingo, 11 de novembro de 2012
Portugal e a crise
Eça de Queirós escreveu em 1872
"Nós estamos num estado comparável apenas à
Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade
política, a mesma trapalhada económica, a
mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência
de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas
quando se fala num país caótico e que pela sua
decadência progressiva, poderá vir a ser riscado
do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a
Grécia e Portugal"
“Que fazer? Que esperar? Portugal tem
atravessado crises igualmente más: - mas
nelas nunca nos faltaram nem homens de
valor e carácter, nem dinheiro ou crédito.
Hoje crédito não temos, dinheiro também
não - pelo menos o Estado não tem: - e
homens não os há, ou os raros que há são
postos na sombra pela política. De sorte que
esta crise me parece a pior - e sem cura.”
“Diz-se geralmente que, em Portugal, o público
tem ideia de que o Governo deve fazer tudo,
pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a
conclusão que somos um povo sem poderes
iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de
uma larga liberdade, e inaptos para a
independência. A nossa pobreza relativa é
atribuída a este hábito político e social de
depender para tudo do Governo, e de volver
constantemente as mãos e os olhos para ele
como para uma Providência sempre presente
A nossa triste sina
“Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de
organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o
engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos
que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma
rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela
inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo
interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas
vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali
luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há
a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos;
ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de
nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em
volta daquela arena enxameiam os aventureiros
inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos;
há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o
privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, bradase, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios,
todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali
com dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos,
ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos
dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de
dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.”
Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Eu já vivi o vosso futuro
"É surpreendente que, após ter enterrado um monstro, a URSS, se tenha construído outro semelhante: a União Europeia (UE).
O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabe-lo examinando a sua versão soviética.
A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes.
Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) aprovámos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.
Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada?
A URSS foi criada sob coacção, muitas vezes pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.
Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE. Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo.
Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir.
O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE. Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto». Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade. Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE. Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos. O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (...)
Eu já vivi o vosso «futuro»..."
O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabe-lo examinando a sua versão soviética.
A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes.
Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) aprovámos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.
Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada?
A URSS foi criada sob coacção, muitas vezes pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.
Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE. Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo.
Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir.
O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE. Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto». Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade. Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE. Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos. O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (...)
Eu já vivi o vosso «futuro»..."
Spams
AMIGOS internautas
A pessoa que enviou esta informação é um técnico de computador que passa muito tempo a apagar spams dos seus clientes, e a ouvir as suas queixas sobre a lentidão do equipamento. Nem todos os e-mails enviados são ruins, apenas alguns. Sugiro que leia esta mensagem até ao último parágrafo. Eis o que ele escreveu: 1) Sempre que ler - "enviar este email para" 10 "(ou qualquer outro número) de pessoas", "assinar esta petição", "vai ter má sorte", "terão boa sorte" ou "algo engraçado aparecerá na a tela depois de enviá-lo "," etc. " pode presumir que o correio tem um cookie que irá acompanhar tanto o seu e-mail como o das pessoas para quem o reencaminhar. 2) O autor original que lhe enviou o e-mail fica com uma cópia cada vez que seu e-mail é reenviado. Essas cópias permitem-lhe compilar uma lista de "e-mail ativo", (a quem você reenvia) para > enviar spams ou vender essas listas a quem envia spams. > Cuidado com mensagens que dizem "se você tem vergonha de ter fé em > Deus, Jesus, etc. São mensagens rastreadoras que estão chantageando a > sua consciência. Não seja tímido e não se deixe convencer! A essas > pessoas não lhes importa como obter a o seu endereço de e-mail ..... > desde que o obtenha. > Também os e-mails que falam sobre crianças desaparecidas ou crianças > com uma doença incurável, "Como você se sentiria se fosse o seu filho?", ou > animais abandonados, etc. Eles também são rastreadores de e-mail. Ignore-os e não sigua o jogo! > 3) Quase todos os e-mails que pedem que adicione o seu nome e o > reenvie para seus contatos, são semelhantes às cartas de há anos > atrás, em que os entrevistados foram convidados a enviar cartas para > uma menina da Flórida que queria quebrar o recorde Guinness por ter > recebido o maior número de postais. > > 4) Esse golpe, como quase todo o correio deste tipo, é uma forma de > tele-comerciantes obterem a validação de endereços de e-mail para ganho > pessoal. > > Pode fazer um grande favor para sua família e amigos, se > reenviar ESTA INFORMAÇÃO. Nós estamos a fazer um serviço real. A > recompensa será que, no futuro, ninguém receba spams > ! > > Ajude-se a si mesmo e evite adicionar seu nome a estes tipos de > listas, independentemente de quão atraentes elas possam parecer, ou > que tentem fazer você se sentir culpado se você não participar . > Apenas pretendem obter a sua lista de e-mail. > > Você pode acreditar que você está apoiando uma boa causa. Isso não é > verdade!. Tudo o que está a fazer é estar recebendo toneladas de > lixo eletrônico, e talvez até mesmo vírus. Além disso, você está > ajudando quem envia o email a ficar rico. Não lhes facilite o > trabalho. > > ALEM DISSO: os pedidos por e-mail não são aceites pelo Assembleia da Republica ou > qualquer outra agência governamental, tais como Segurança Social, etc. > Para uma petição ser aceitável deve ter uma assinatura manuscrita > e endereço completo da pessoa que assina, assim isso é apenas um > desperdício de tempo e estará ajudando quem quer copiar o seu > e-mail. > > Dicas para lidar com Telemaketólogos (ou seja, os promotores que fazem > uma oferta por telefone) > > ¡¡Quatro palavras que funcionam!! > > (1) Os quatro pequenas palavras são: "Um momento por favor ... ' > Se você diz isso e, em seguida, deixa o telefone fora do gancho (em > vez de desligar imediatamente), cada chamada de telemarketing será tão > longo para os vendedores que terão de encontrar outro método de > vendas. > Um pouco mais tarde, quando você ouvir o bip-bip-bip, você sabe que é > hora de desligar. A sua missão já foi cumprida. > Estas quatro palavras pouco vai ajudar a eliminar chamadas > indesejadas: "um momento por favor". > > (2)¿ Alguma vez você já recebeu uma dessas odiosas chamadas mudas em > que ninguém diz nada?. > Nestes casos, é uma máquina que faz a chamada e registra a hora em que > a pessoa atende o telefone. > > Esta técnica é usada para determinar qual a melhor hora do dia para um > vendedor "humano" sabendo que alguém estará a responder. > > ¿O que você pode fazer depois de atender e você percebe que é uma > chamada muda? ...... > Prima o botão # no telefone 6 ou 7 vezes tão rápido quanto possível. > Isso confunde a máquina que discou o seu número e exclui-o do sistema. > ¡¡¡Então você não fica mais nessa lista!!! ..... > > Tudo isso só vai funcionar se muitas pessoas seguirem estas dicas. Há > muito tempo que eu faço isto e eu recebo cada vez menos e-mails de > lixo, como de correio postal. > > ¡¡¡¡ESTE É O ÚNICO E-MAIL QUE DEVE DIZER seus amigos, mas ENVIAR POR Bcc (cópia oculta), e sempre excluir os REMETENTES!!!!. |
Estamos perdidos
“Estamos perdidos há muito tempo… O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte, o país está perdido!
Algum opositor do atual governo?
NÃO!”
EsEÇA DE QUEIROZ escreveu em 1871
Um povo imbecilizado
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta
de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas..
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas..
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”
Guerra Junqueiro, 1896.
……………………………
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Os fantasmas
Os fantasmas
Esta coisa de escrever crónicas “é um jogo permanente entre o estilo e a
substância”. Uma luta entre “o deboche estilístico” do gozo da escrita e “a frieza
analítica” do pensamento do cronista. Por isso, enquanto cidadão, só posso ver
este governo como uma verdadeira praga bíblica que caiu sobre um povo que o
não merecia. Mas, enquanto cronista, encaro- o como uma dádiva dos céus, um
maná dos deuses, “um harém de metáforas”, uma verdadeira girândola de
piruetas estilísticas.
piruetas estilísticas.
Tomemos como exemplo o ministro Gaspar. Licenciado e doutorado em
Economia, fez parte da carreira em Bruxelas onde foi director do Departamento
de Estudos do BCE. Por cá, passou pelo Banco de Portugal, foi chefe de gabinete
de Miguel Beleza e colaborador de Braga de Macedo. É o actual ministro das
Finanças. Pois bem. O cronista olha para este “talento” e que vê nele? Um
retardado mental? Uma rábula com olheiras? Um pantomineiro idiota? Não me
compete, enquanto cidadão, dar a resposta.
Economia, fez parte da carreira em Bruxelas onde foi director do Departamento
de Estudos do BCE. Por cá, passou pelo Banco de Portugal, foi chefe de gabinete
de Miguel Beleza e colaborador de Braga de Macedo. É o actual ministro das
Finanças. Pois bem. O cronista olha para este “talento” e que vê nele? Um
retardado mental? Uma rábula com olheiras? Um pantomineiro idiota? Não me
compete, enquanto cidadão, dar a resposta.
Mas não posso deixar de referir a reacção ministerial à manifestação de 15 de Setembro que, repito, adjectivava os
governantes onde se inclui o soporífero Gaspar, como “gatunos, mafiosos,
carteiristas, chulos, chupistas, vigaristas, filhos da puta”. Pois bem. Gaspar
afirmou na Assembleia da República que o povo português, este mesmo povo
português que assim se referia ao seu governo, “revelou-se o melhor povo do
mundo e o melhor activo de Portugal”! Assumpção autocrítica de alguém que
também é capaz de, lucidamente, se entender, por exemplo, como um “chulo” do
país? Incapacidade congénita de interpretar o designativo metafórico de “filhos
da puta”? Não me parece. Parece- me sim um exercício de cinismo, sarcástico e
obsceno, de quem se está simplesmente “a cagar” para o povo que protesta.
governantes onde se inclui o soporífero Gaspar, como “gatunos, mafiosos,
carteiristas, chulos, chupistas, vigaristas, filhos da puta”. Pois bem. Gaspar
afirmou na Assembleia da República que o povo português, este mesmo povo
português que assim se referia ao seu governo, “revelou-se o melhor povo do
mundo e o melhor activo de Portugal”! Assumpção autocrítica de alguém que
também é capaz de, lucidamente, se entender, por exemplo, como um “chulo” do
país? Incapacidade congénita de interpretar o designativo metafórico de “filhos
da puta”? Não me parece. Parece- me sim um exercício de cinismo, sarcástico e
obsceno, de quem se está simplesmente “a cagar” para o povo que protesta.
A ser assim, julgo como perfeitamente adequado repetir aqui uma passagem de um
texto em forma de requerimento “poético” de 1934. Assim: “A Nação confiou- -
lhe os seus destinos?... / Então, comprima, aperte os intestinos. / Se lhe escapar
um traque, não se importe… / Quem sabe se o cheirá- lo nos dá sorte? / Quantos
porão as suas esperanças / Num traque do ministro das Finanças?... / E quem
viver aflito, sem recursos / Já não distingue os traques dos discursos.”
texto em forma de requerimento “poético” de 1934. Assim: “A Nação confiou- -
lhe os seus destinos?... / Então, comprima, aperte os intestinos. / Se lhe escapar
um traque, não se importe… / Quem sabe se o cheirá- lo nos dá sorte? / Quantos
porão as suas esperanças / Num traque do ministro das Finanças?... / E quem
viver aflito, sem recursos / Já não distingue os traques dos discursos.”
Provavelmente o sr. ministro desconhecerá a história daquele gajo que era tão
feio, tão feio, que os gases andavam sempre num vaivém constante para cima e
para baixo, sem saber se sair pela boca se pelo ânus, dado que os dois orifícios
esteticamente se confundiam. Pois bem. O sr. ministro é o primeiro, honra lhe
seja concedida, que já confunde os traques com os discursos. Os seus. Desta vez,
o traque saiu-lhe pelo local de onde deveria ter saído o discurso! Ou seja e
desculpar-me-ão a grosseria linguística, em vez de falar, “cagou-se”. Para o povo
português. Lamentavelmente.Outro exemplar destes políticos que fazem as delícias de um cronista é Cavaco
Silva. feio, tão feio, que os gases andavam sempre num vaivém constante para cima e
para baixo, sem saber se sair pela boca se pelo ânus, dado que os dois orifícios
esteticamente se confundiam. Pois bem. O sr. ministro é o primeiro, honra lhe
seja concedida, que já confunde os traques com os discursos. Os seus. Desta vez,
o traque saiu-lhe pelo local de onde deveria ter saído o discurso! Ou seja e
desculpar-me-ão a grosseria linguística, em vez de falar, “cagou-se”. Para o povo
português. Lamentavelmente.Outro exemplar destes políticos que fazem as delícias de um cronista é Cavaco
Cavaco está politicamente senil. Soletra umas solenidades de circunstância,
meia-dúzia de banalidades e, limitado intelectualmente como é, permanece
“amarrado à âncora da sua ignorância”. Só neste contexto se compreende o
espanto expresso publicamente com “o sorriso das vacas”, as lamúrias por uma
reforma insuficiente de 10 mil euros mensais, a constante repetição do “estou
muito preocupado” e outros lugares-comuns que fazem deste parolo de
Boliqueime uma fotocópia histórica de Américo Tomás, o almirante de Salazar. Já
o escrevi aqui várias vezes. Na cabeça de Cavaco reina um vácuo absoluto. Pelo
que, quando fala, balbucia algumas baboseiras lapalicianas reveladoras de quem
não pode falar do mundo complexo em que vivemos com a inteligência de um
homem de Estado. Simplesmente porque não a tem.
“amarrado à âncora da sua ignorância”. Só neste contexto se compreende o
espanto expresso publicamente com “o sorriso das vacas”, as lamúrias por uma
reforma insuficiente de 10 mil euros mensais, a constante repetição do “estou
muito preocupado” e outros lugares-comuns que fazem deste parolo de
Boliqueime uma fotocópia histórica de Américo Tomás, o almirante de Salazar. Já
o escrevi aqui várias vezes. Na cabeça de Cavaco reina um vácuo absoluto. Pelo
que, quando fala, balbucia algumas baboseiras lapalicianas reveladoras de quem
não pode falar do mundo complexo em que vivemos com a inteligência de um
homem de Estado. Simplesmente porque não a tem.
Cavaco é uma irrelevância de quem nada há a esperar, a não ser afirmações como a recentemente proferida
aquando das comemorações do 5 de Outubro de que “o futuro são os jovens
deste país”! Pudera! Cavaco não surpreenderia ninguém se subscrevesse por
exemplo a afirmação do Tomás ao referir- se à promulgação de um qualquer
despacho número cem dizendo que lhe fora dado esse número “não por acaso
mas porque ele vem não sequência de outros noventa e nove anteriores…” Tal e
qual.
aquando das comemorações do 5 de Outubro de que “o futuro são os jovens
deste país”! Pudera! Cavaco não surpreenderia ninguém se subscrevesse por
exemplo a afirmação do Tomás ao referir- se à promulgação de um qualquer
despacho número cem dizendo que lhe fora dado esse número “não por acaso
mas porque ele vem não sequência de outros noventa e nove anteriores…” Tal e
qual.
Termino esta crónica socorrendo- me da adaptação feliz de um aforismo do
comendador Marques de Correia e que diz assim: “Faz de Gaspar um novo
Salazar, faz de Cavaco um novo Tomás e canta ó tempo volta para trás”. É que só
falta mesmo isso. Que o tempo volte para trás. Porque Salazar e Tomás já os
temos por cá.
P.S.: Permitam-me a assumpção da mea culpa. Critiquei aqui violentamente José
Sócrates. Mantenho o que disse. Mas hoje, comparando-o com esse garotelho
sem qualquer arcaboiço para governar chamado Passos Coelho, reconheço que é
como comparar merda com pudim. Para Sócrates, obviamente, a metáfora do
pudim. Sinceramente, nunca pensei ter de escrever isto.
Luís Manuel Cunha
Professor
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